9.12.2006

Estou no começo, ler e escrever mais profundamente.Vou postar uma poesia que achei muito interessante à foto-etnologia.

Difícil fotografar o silêncio.
Entretanto tentei. Eu conto:
Madrugada a minha aldeia estava morta.
Não se ouvia um barulho,
Ninguém passava entre as casas.
Eram quase quatro da manhã.
Ia o Silêncio pela rua carregando um bêbado.
Preparei minha máquina.
O silêncio era um carregador?
Estava carregando o bêbado.
Fotografei esse carregador.
Tive visões naquela madrugada.

Preparei minha máquina de novo.
Tinha um perfume de jasmim
No beiral de um sobrado.
Fotografei o perfume.

Vi uma lesma pregada na existência
Mais do que na pedra.
Fotografei a existência dela.

Vi ainda um azul-perdão
no olho de um mendigo.
Fotografei o perdão.

Olhei uma paisagem velha
A desabar sobre uma casa.
Fotografei o sobre.
Foi difícil fotografar o sobre.

Por fim enxerguei a
Nuvem de calça.
Representou para mim
Que ela andava na aldeia de
Braços com Maiakovski
- Seu criador.
Fotografei
A nuvem de calça

E
O poeta.
Ninguém-outro poeta
No mundo faria
Uma roupa mais justa
Para cobrir
A sua noiva.
A foto saiu legal.


Manoel de Barros
(O Fotógrafo - Ensaios Fotográficos)

4 Comments:

Blogger [fabrizio augusto poltronieri] said...

certo!

13/9/06 12:00 AM  
Anonymous Projeto Jenova said...

Ae cabelo.. da hora cara...
Vamo q no fim tudo fica ok :D
hoohho
ah... e vista la o blog :D ja coloquei vc no favoritos :)
abracao

13/9/06 5:43 PM  
Anonymous Pati said...

Oi cabelo...passando pra desejar boa sorte no trabalho...e ta muito bom ate agora hein!
Adcionei seu link no meu blog..ok?!!
Bjos!

13/9/06 8:30 PM  
Anonymous Grupo Feira Livre said...

Cabelooo...
Olha so fui a primeira a entrar nesse blog aqui...mas agora venho comunicar que adicionamos vc em nosso blog
E aproveitando... mta boa sorte ae... e seu blog tah mto bom !!!

abraços

14/9/06 3:45 PM  

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